quarta-feira, 21 de maio de 2008

Rapidinha: Fornicação primária de alguém que não tem tesão, ou se a tem, dura pouco.

domingo, 18 de maio de 2008


Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....

Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,

Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.


Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos".

As Palavras







Falo e sinto deslizar tudo o que digo.



E mesmo quando o silêncio me invade, elas rebolam e passam por mim dizendo-me olá, dizendo-me adeus.



Gosto de sentir esta proximidade entre nós, de tratá-las por tu, de não as temer, de arriscar com elas.



E é tão bom quando lhes encontro tantos significados...



Mas por vezes calo, para que quando elas sejam ditas, passem a ter mais força!



Afinal as palavras vivem do sentir, é dele que se alimentam. E ver uma palavra morrer de fome é doloroso.



Uma palavra que não trás sentimento atrás de si, não é palavra, não é nada.



É um vazio que ocupa espaço, e tudo soa estranho à nossa volta. Por isso convoco muitas vezes o silêncio. É a minha defesa sempre que oiço palavras que já não trazem consigo o significado de outrora, mas que apenas se repetem.



Contudo, continuo a viver delas, a fazer uso do seu valor e da sua beleza. A tentar trespassar o vácuo deixado pelos outros, alheios à sua grandiosidade natural.

"A Leitura Engrandece A Alma" Voltaire


Quando estiveres velha e cansada e vencida pelo sono
E cabeceando à lareira, pega neste livro,
E lê-o devagar, e sonha com a doçura
Do teu olhar de outrora e as suas sombras profundas;

Quantos amaram os teus momentos de alegre graça,
E a tua beleza com amor falso ou verdadeiro
Mas um homem, amou a alma peregrina que há em ti,
E amou as mágoas do teu rosto em mudança...

William Butler Yeats

Em Homenagem Ao Grande Pessoa!

Não!
Deixem-me em paz.
Porque insistem em me puxar e levar para ai? Não quero ir. Acabou!
Porque se interessam tanto? Sei que é fingido.
São todos uns fingidos. Todos!
Larguem-me! Não estão a ouvir?
O que me interessa tudo isso?
Para que quero eu esse mundo se nem o meu consigo ter?
É claro que o encontrei, apenas não consigo juntá-lo.
Imbecis.
Ainda me gozam?
Acham-me louca é?
Loucos são vocês por acharem tal coisa.
Se me voltam a tocar não respondo por mim.
Não digo!
O que vos interessa?
Se eu não soubesse o que me esperava até iria, mas sendo assim...
Lixem-se vocês mais esse vosso mundo.
Ou o mundo que se lixe com vocês, tanto me dá.
E talvez quando ele vos fizer gemer, gritar de dor, enfim sofrer, queiram também ficar onde estão.
Deixem-me... Só isso...
Sofram vocês se quiserem, eu já estou farta.
E talvez agora sim, consiga por fim adormecer...
Acabou.