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domingo, 18 de maio de 2008

As Palavras







Falo e sinto deslizar tudo o que digo.



E mesmo quando o silêncio me invade, elas rebolam e passam por mim dizendo-me olá, dizendo-me adeus.



Gosto de sentir esta proximidade entre nós, de tratá-las por tu, de não as temer, de arriscar com elas.



E é tão bom quando lhes encontro tantos significados...



Mas por vezes calo, para que quando elas sejam ditas, passem a ter mais força!



Afinal as palavras vivem do sentir, é dele que se alimentam. E ver uma palavra morrer de fome é doloroso.



Uma palavra que não trás sentimento atrás de si, não é palavra, não é nada.



É um vazio que ocupa espaço, e tudo soa estranho à nossa volta. Por isso convoco muitas vezes o silêncio. É a minha defesa sempre que oiço palavras que já não trazem consigo o significado de outrora, mas que apenas se repetem.



Contudo, continuo a viver delas, a fazer uso do seu valor e da sua beleza. A tentar trespassar o vácuo deixado pelos outros, alheios à sua grandiosidade natural.

Acreditar

Sinto-me cair...
Olho para trás na esperança de encontrar algo em que me agarrar, mas nada.
Continuo em queda. Tudo passa por mim e tudo se dissipa.
Faço um esforço para guardar algo, mas a rapidez com que me afundo impossibilita qualquer recordação.
Choro... Tento gritar mas não consigo.
Sinto que desapareço no meio de um turbilhão de emoções que me invade. Quero parar, quero gritar...
Estou cansada, cansada e triste. Sinto-me só.
Tudo por onde passo fica onde está.
Pareço nunca mais cair. Quando terá isto fim?
Olho para cima e vejo uma luz estender-me a mão. Esforço-me por a agarrar mas não consigo. Os dedos escapam-se por entre a rapidez desta maldita queda.
Não sei quem me ajuda, apenas que a perco de vista...
Em vão... Mas não. Não pode ser!
Saltou! Saltou e vem ao meu encontro!
Entrelaçamos os dedos, as mãos, num desespero por premanecer juntas. E abraça-me. Sinto o calor do seu corpo que me acolhe.
Sinto-me abrandar, mais... mais e mais.
Já não caio, flutuo. Encaro a luz que me rodeia.
Nada vejo. Apenas o meu reflexo.
Por fim chego ao final da queda, e agora com todo o tempo do mundo olho para cima.
Nada. Só um vazio enorme.
Volto a olhar para a luz e por fim entendo...!
Afinal nunca estive só, apenas perdida de mim.
E agora sim, já posso olhar para baixo sem ter medo de cair!