domingo, 18 de maio de 2008

As Palavras







Falo e sinto deslizar tudo o que digo.



E mesmo quando o silêncio me invade, elas rebolam e passam por mim dizendo-me olá, dizendo-me adeus.



Gosto de sentir esta proximidade entre nós, de tratá-las por tu, de não as temer, de arriscar com elas.



E é tão bom quando lhes encontro tantos significados...



Mas por vezes calo, para que quando elas sejam ditas, passem a ter mais força!



Afinal as palavras vivem do sentir, é dele que se alimentam. E ver uma palavra morrer de fome é doloroso.



Uma palavra que não trás sentimento atrás de si, não é palavra, não é nada.



É um vazio que ocupa espaço, e tudo soa estranho à nossa volta. Por isso convoco muitas vezes o silêncio. É a minha defesa sempre que oiço palavras que já não trazem consigo o significado de outrora, mas que apenas se repetem.



Contudo, continuo a viver delas, a fazer uso do seu valor e da sua beleza. A tentar trespassar o vácuo deixado pelos outros, alheios à sua grandiosidade natural.

Sem comentários: