
Falo e sinto deslizar tudo o que digo.
E mesmo quando o silêncio me invade, elas rebolam e passam por mim dizendo-me olá, dizendo-me adeus.
Gosto de sentir esta proximidade entre nós, de tratá-las por tu, de não as temer, de arriscar com elas.
E é tão bom quando lhes encontro tantos significados...
Mas por vezes calo, para que quando elas sejam ditas, passem a ter mais força!
Afinal as palavras vivem do sentir, é dele que se alimentam. E ver uma palavra morrer de fome é doloroso.
Uma palavra que não trás sentimento atrás de si, não é palavra, não é nada.
É um vazio que ocupa espaço, e tudo soa estranho à nossa volta. Por isso convoco muitas vezes o silêncio. É a minha defesa sempre que oiço palavras que já não trazem consigo o significado de outrora, mas que apenas se repetem.
Contudo, continuo a viver delas, a fazer uso do seu valor e da sua beleza. A tentar trespassar o vácuo deixado pelos outros, alheios à sua grandiosidade natural.
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