quarta-feira, 21 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
domingo, 18 de maio de 2008

Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos".
As Palavras

Falo e sinto deslizar tudo o que digo.
E mesmo quando o silêncio me invade, elas rebolam e passam por mim dizendo-me olá, dizendo-me adeus.
Gosto de sentir esta proximidade entre nós, de tratá-las por tu, de não as temer, de arriscar com elas.
E é tão bom quando lhes encontro tantos significados...
Mas por vezes calo, para que quando elas sejam ditas, passem a ter mais força!
Afinal as palavras vivem do sentir, é dele que se alimentam. E ver uma palavra morrer de fome é doloroso.
Uma palavra que não trás sentimento atrás de si, não é palavra, não é nada.
É um vazio que ocupa espaço, e tudo soa estranho à nossa volta. Por isso convoco muitas vezes o silêncio. É a minha defesa sempre que oiço palavras que já não trazem consigo o significado de outrora, mas que apenas se repetem.
Contudo, continuo a viver delas, a fazer uso do seu valor e da sua beleza. A tentar trespassar o vácuo deixado pelos outros, alheios à sua grandiosidade natural.
Quando estiveres velha e cansada e vencida pelo sono
E cabeceando à lareira, pega neste livro,
E lê-o devagar, e sonha com a doçura
Do teu olhar de outrora e as suas sombras profundas;
Quantos amaram os teus momentos de alegre graça,
E a tua beleza com amor falso ou verdadeiro
Mas um homem, amou a alma peregrina que há em ti,
E amou as mágoas do teu rosto em mudança...
William Butler Yeats
E cabeceando à lareira, pega neste livro,
E lê-o devagar, e sonha com a doçura
Do teu olhar de outrora e as suas sombras profundas;
Quantos amaram os teus momentos de alegre graça,
E a tua beleza com amor falso ou verdadeiro
Mas um homem, amou a alma peregrina que há em ti,
E amou as mágoas do teu rosto em mudança...
William Butler Yeats
Em Homenagem Ao Grande Pessoa!
Não!
Deixem-me em paz.
Porque insistem em me puxar e levar para ai? Não quero ir. Acabou!
Porque se interessam tanto? Sei que é fingido.
São todos uns fingidos. Todos!
Larguem-me! Não estão a ouvir?
O que me interessa tudo isso?
Para que quero eu esse mundo se nem o meu consigo ter?
É claro que o encontrei, apenas não consigo juntá-lo.
Imbecis.
Ainda me gozam?
Acham-me louca é?
Loucos são vocês por acharem tal coisa.
Se me voltam a tocar não respondo por mim.
Não digo!
O que vos interessa?
Se eu não soubesse o que me esperava até iria, mas sendo assim...
Lixem-se vocês mais esse vosso mundo.
Ou o mundo que se lixe com vocês, tanto me dá.
E talvez quando ele vos fizer gemer, gritar de dor, enfim sofrer, queiram também ficar onde estão.
Deixem-me... Só isso...
Sofram vocês se quiserem, eu já estou farta.
E talvez agora sim, consiga por fim adormecer...
Acabou.
Deixem-me em paz.
Porque insistem em me puxar e levar para ai? Não quero ir. Acabou!
Porque se interessam tanto? Sei que é fingido.
São todos uns fingidos. Todos!
Larguem-me! Não estão a ouvir?
O que me interessa tudo isso?
Para que quero eu esse mundo se nem o meu consigo ter?
É claro que o encontrei, apenas não consigo juntá-lo.
Imbecis.
Ainda me gozam?
Acham-me louca é?
Loucos são vocês por acharem tal coisa.
Se me voltam a tocar não respondo por mim.
Não digo!
O que vos interessa?
Se eu não soubesse o que me esperava até iria, mas sendo assim...
Lixem-se vocês mais esse vosso mundo.
Ou o mundo que se lixe com vocês, tanto me dá.
E talvez quando ele vos fizer gemer, gritar de dor, enfim sofrer, queiram também ficar onde estão.
Deixem-me... Só isso...
Sofram vocês se quiserem, eu já estou farta.
E talvez agora sim, consiga por fim adormecer...
Acabou.
Acreditar
Sinto-me cair...
Olho para trás na esperança de encontrar algo em que me agarrar, mas nada.
Continuo em queda. Tudo passa por mim e tudo se dissipa.
Faço um esforço para guardar algo, mas a rapidez com que me afundo impossibilita qualquer recordação.
Choro... Tento gritar mas não consigo.
Sinto que desapareço no meio de um turbilhão de emoções que me invade. Quero parar, quero gritar...
Estou cansada, cansada e triste. Sinto-me só.
Tudo por onde passo fica onde está.
Pareço nunca mais cair. Quando terá isto fim?
Olho para cima e vejo uma luz estender-me a mão. Esforço-me por a agarrar mas não consigo. Os dedos escapam-se por entre a rapidez desta maldita queda.
Não sei quem me ajuda, apenas que a perco de vista...
Em vão... Mas não. Não pode ser!
Saltou! Saltou e vem ao meu encontro!
Entrelaçamos os dedos, as mãos, num desespero por premanecer juntas. E abraça-me. Sinto o calor do seu corpo que me acolhe.
Sinto-me abrandar, mais... mais e mais.
Já não caio, flutuo. Encaro a luz que me rodeia.
Nada vejo. Apenas o meu reflexo.
Por fim chego ao final da queda, e agora com todo o tempo do mundo olho para cima.
Nada. Só um vazio enorme.
Volto a olhar para a luz e por fim entendo...!
Afinal nunca estive só, apenas perdida de mim.
E agora sim, já posso olhar para baixo sem ter medo de cair!
Olho para trás na esperança de encontrar algo em que me agarrar, mas nada.
Continuo em queda. Tudo passa por mim e tudo se dissipa.
Faço um esforço para guardar algo, mas a rapidez com que me afundo impossibilita qualquer recordação.
Choro... Tento gritar mas não consigo.
Sinto que desapareço no meio de um turbilhão de emoções que me invade. Quero parar, quero gritar...
Estou cansada, cansada e triste. Sinto-me só.
Tudo por onde passo fica onde está.
Pareço nunca mais cair. Quando terá isto fim?
Olho para cima e vejo uma luz estender-me a mão. Esforço-me por a agarrar mas não consigo. Os dedos escapam-se por entre a rapidez desta maldita queda.
Não sei quem me ajuda, apenas que a perco de vista...
Em vão... Mas não. Não pode ser!
Saltou! Saltou e vem ao meu encontro!
Entrelaçamos os dedos, as mãos, num desespero por premanecer juntas. E abraça-me. Sinto o calor do seu corpo que me acolhe.
Sinto-me abrandar, mais... mais e mais.
Já não caio, flutuo. Encaro a luz que me rodeia.
Nada vejo. Apenas o meu reflexo.
Por fim chego ao final da queda, e agora com todo o tempo do mundo olho para cima.
Nada. Só um vazio enorme.
Volto a olhar para a luz e por fim entendo...!
Afinal nunca estive só, apenas perdida de mim.
E agora sim, já posso olhar para baixo sem ter medo de cair!
Subscrever:
Comentários (Atom)

