domingo, 18 de maio de 2008

Acreditar

Sinto-me cair...
Olho para trás na esperança de encontrar algo em que me agarrar, mas nada.
Continuo em queda. Tudo passa por mim e tudo se dissipa.
Faço um esforço para guardar algo, mas a rapidez com que me afundo impossibilita qualquer recordação.
Choro... Tento gritar mas não consigo.
Sinto que desapareço no meio de um turbilhão de emoções que me invade. Quero parar, quero gritar...
Estou cansada, cansada e triste. Sinto-me só.
Tudo por onde passo fica onde está.
Pareço nunca mais cair. Quando terá isto fim?
Olho para cima e vejo uma luz estender-me a mão. Esforço-me por a agarrar mas não consigo. Os dedos escapam-se por entre a rapidez desta maldita queda.
Não sei quem me ajuda, apenas que a perco de vista...
Em vão... Mas não. Não pode ser!
Saltou! Saltou e vem ao meu encontro!
Entrelaçamos os dedos, as mãos, num desespero por premanecer juntas. E abraça-me. Sinto o calor do seu corpo que me acolhe.
Sinto-me abrandar, mais... mais e mais.
Já não caio, flutuo. Encaro a luz que me rodeia.
Nada vejo. Apenas o meu reflexo.
Por fim chego ao final da queda, e agora com todo o tempo do mundo olho para cima.
Nada. Só um vazio enorme.
Volto a olhar para a luz e por fim entendo...!
Afinal nunca estive só, apenas perdida de mim.
E agora sim, já posso olhar para baixo sem ter medo de cair!

1 comentário:

Anónimo disse...

adorei este poema k fizeste!
é d uma simplicidade fantástica!
e é como tu dizes, é preciso acreditar!
continuo à espera d mais e mais...!
abraço!